Fomentar e desenvolver
o desporto para portadores
de paralisia cerebral
Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2008
A ANDE segue as determinações estabelecidas pela 9ª Edição do Manual de Classificação e Regras Desportivas da CP-ISRA (2005/2008). Este manual pode ser consultado no site www.cpisra.org .
Dar a todos os atletas participantes dos eventos da ANDE um ponto inicial na sua classe funcional assegurando um agrupamento funcional mais justo possível.
Todos os atletas participantes em eventos da ANDE devem receber uma classificação funcional de nível nacional, sendo válida para todos os eventos no Brasil. Todos os classificadores funcionais devem ter participado de cursos internacionais de classificação sancionados e realizados pela CP-ISRA.
Todos os atletas participantes em eventos da CP-ISRA devem receber uma classificação funcional de nível internacional, sendo válida para qualquer evento realizado no mundo e sancionado pela CP-ISRA e pelo IPC.
| PRÉ-COMPETIÇÃO | PERÍODO APÓS CLASSIFICAÇÃO | PERÍODO APÓS 1ª PARTICIPAÇÃO |
| CN (Categoria Nova) | CNC (Categoria Nova de Competição) | CR (Categoria de Revisão) |
| CR (Categoria Revisão) | CRC (Categoria de Revisão de Competição) | CP(Categoria Permanente) |
INTRODUÇÃO:
Para se classificar um atleta com paralisia cerebral, é preciso conhecer as técnicas empregadas na classificação. Ninguém consegue praticar esportes, neste caso os que estão no sistema CP-ISRA, sem entender o próprio sistema de classificação. Isto garante a todos os mesmos princípios básicos.
A seguir daremos algumas explicações sobre os procedimentos de classificação e o perfil funcional de cada classe, de acordo com a última edição do Manual de Classificação e Regras de Jogo da CP-ISRA.
CLASSIFICAÇÃO VISUAL DO PERFIL FUNCIONAL:
O primeiro passo é considerar se o atleta pode ser colocado em uma classe de cadeirante (de 1 a 4) ou em uma classe de andante (de 5 a 8), através da observação visual.
AVALIAÇÃO FUNCIONAL:
Um classificador deve adotar um processo de avaliação através de testes motores grossos, ou seja, testes com os principais grupamentos musculares de natureza geral e não específica, no primeiro momento. Depois deste processo, se deve então, realizar testes de natureza específica, ou seja, movimentos de acordo com o desporto praticado do atleta. O correto é se fazer uma classificação objetiva e não subjetiva.
Observe quando o atleta tocar a cadeira, andar, correr em várias velocidades, parar, reiniciar a corrida e mudar de direções. Considere o efeito da deficiência no indivíduo. Ë um fator de equilíbrio? Está afetando o sincronismo dos braços, das pernas, do tronco e cabeça? O controle da cadeira ou do corpo afeta o ritmo? Freqüentemente a classe de um atleta pode ser determinada através destes testes e observações.
FATORES IMPORTANTES NA AVALIAÇÃO DOS MEMBROS INFERIORES, SUPERIORES, TRONCO E MÃOS:
MEMBROS INFERIORES: Uma avaliação da função do membro inferior deve incluir testes de amplitude de movimento ativo e passivo. Se existir uma limitação em um atleta andante, esta limitação afeta o equilíbrio, ou induz a uma resposta compensatória na forma de chute, de um movimento curto?
CONTROLE DO TRONCO: Esta é uma área que freqüentemente é omitida nas classes de cadeirantes, mas que pode, quase sempre, ser um fator determinante, especialmente entre as classes C3 e C4 aonde flexão e rotação do tronco são fatores decisivos. Também pode ser um fator na diferenciação entre as classes C5 e C6. Exemplos de testes para se avaliar o controle do tronco são:
Em cada momento, o movimento do tronco deve ser cuidadosamente observado.
MEMBROS SUPERIORES: Uma avaliação da função do membro superior deve incluir testes de amplitude de movimento ativo e passivo. Pode-se pedir ao atleta que demonstre um movimento de braço específico ao ato de tocar uma cadeira, de correr e/ou de arremessar. Freqüentemente o completo efeito da lesão cerebral pode não ser evidente, a menos que o atleta execute o movimento específico do desporto.
CONTROLE DAS MÃOS: O primeiro passo, é testar o aperto funcional da mão. O aperto estático da mão e a sua soltura devem ser avaliados. O aperto e a soltura da mão devem ser observados durante o arremesso assim como o efeito que pode causar durante o movimento específico do braço no desporto.
OBS: A classe de um atleta não é afetada pela idade, experiência, nível cognitivo, nível de aptidão física, equipamento, etc. O fator chave é: o nível de espasticidade, de atetose e de ataxia, da paralisia cerebral.
PERFIS DE CLASSIFICAÇÃO:
Quadriplegia (tetraplegia)
Implicação severa. Grau de espasticidade de 4 a 3+, com ou sem atetose ou com pouca amplitude de movimento funcional e pouca força funcional em todos os membros e troncos OU atetose severa com ou sem espasticidade com pouca força e controle funcional. Depende de cadeira elétrica ou de ajudante para se movimentar. Incapaz de mover a cadeira funcionalmente.
Membros inferiores – Considerado não funcional em relação a qualquer esporte devido à limitação na amplitude de movimento, força e/ou controle. Movimentos mínimos ou involuntários não devem mudar a classe do atleta.
Controle de tronco – Muito pouco controle de tronco estático e dinâmico ou inexistente. Dificuldade severa em ajustar a coluna em relação à linha média do corpo ou na posição ereta quando executando movimentos específicos ao desporto.
Membros superiores – Limitação severa na amplitude de movimento funcional ou atetose severa são os principais fatores em todos os esportes e movimento de arremesso reduzido com pouca finalização do movimento, é evidente. Oposição do dedo polegar com outro dedo pode ser possível, permitindo o atleta a realizar o aperto da mão.
Quadriplegia (tetraplegia)
Implicação de severa a moderada. Grau de espasticidade de 3+ a 3 com ou sem atetose. Atetose severa ou tetraplegia com mais função no lado menos afetado. Pouca força funcional em todos os membros e no tronco, mas capaz de movimentar a cadeira.
Membros inferiores – Apresenta um grau demonstrável de função em um ou em ambos membros permitindo propulsão na cadeira, automaticamente qualifica o atleta para a classe 2 (baixa). Se a equipe de classificação determinar que a função do membro inferior é mais apropriada para uma classe mais elevada, então o atleta não será classificado na classe 2. Os atletas da classe 2 (alta ou baixa) podem, algumas vezes, andar, mas nunca correr.
Controle de tronco – Controle estático é satisfatório. Pouco controle dinâmico do tronco como demonstrado pelo uso obrigatório dos membros superiores e/ou da cabeça para ajudar no retorno do tronco à linha média do corpo (posição ereta).
Membros superiores – mãos – Implicação de severa a moderada. Grau de espasticidade 3. Se a função da mão e do braço é como a descrita como na classe 1, então os membros superiores determinarão se a classe 2 é a mais apropriada.
O atleta de classe 2 (alta) freqüentemente tem um aperto de mão cilíndrico ou espiral e pode demonstrar destreza suficiente para manipular e arremessar uma bola, mas demonstrará pouco aperto e soltura da mão. Movimentos de arremesso devem ser testados para se observar os efeitos da função da mão. A propulsão da cadeira através dos membros superiores também é demonstrada. A amplitude de movimento ativo é moderada a severamente diminuída, mas a função da mão é o ponto chave.
Quadriplegia (tetraplegia), hemiplegia severa
Quadriplegia (assimétrica ou simétrica) moderada ou hemiplegia severa, sendo cadeirante, com força funcional quase que normal no membro superior dominante. É raro para um atleta com atetose ser incluído nesta classe a não ser que ele apresente um perfil predominantemente de hemiplegia ou triplegia com função quase normal no membro superior dominante. Pode propulsar a cadeira independentemente.
Membros inferiores – Grau de espasticidade de 4 a 3. Algumas funções que são demonstráveis, podem ser observadas durante a transferência. Pose ser capaz de andar com ajuda de uma pessoa ou de muletas, porém em distâncias curtas.
Controle de tronco – O controle do tronco é satisfatório quando se observa tocando a cadeira, mas o movimento de inclinação para frente do tronco é freqüentemente limitado. Alguns movimentos do tronco podem ser percebidos no arremesso, também, tentando corrigir a postura, entretanto o movimento de arremesso vem, na maioria das vezes, do braço. Este é um fator principal para pessoas que não andam. A rotação é limitada. Grau de espasticidade 2+.
Membros superiores – Limitação moderada com grau de espasticidade 2+ no braço dominante, demonstrando limitação na extensão do braço após a finalização do movimento de arremesso.
Função da mão – Mão dominante pode demonstrar aperto cilíndrico e espiral, com pouca destreza dos dedos demonstrável quando da soltura do peso e do disco, no arremesso.
Diplegia
Implicação de moderada a severa. Boa força funcional com mínima limitação ou problemas de controle percebidos nos membros superiores e no tronco.
Membros inferiores – Implicação de moderada a severa em ambas as pernas. Grau de espasticidade de 4 a 3 geralmente causando ação não funcional para andantes em distâncias longas sem o uso de equipamentos que possam ajudar. Geralmente a cadeira de rodas é escolhida para o desporto.
Tronco – Grau de espasticidade de 2 a 1. Limitação mínima nos movimentos de tronco quando tocando a cadeira e arremessando. Em alguns atletas a fadiga pode aumentar a espasticidade a qual pode ser superada com um posicionamento adequado. Quando em pé, é óbvio o pouco equilíbrio até mesmo utilizando apoio.
Membros superiores – Normalmente apresentam força funcional normal. Mínima limitação da amplitude do movimento pode ser apresentada, porém um movimento de finalização de arremessos e de propulsão da cadeira normal é observado quando do arremesso e da propulsão da cadeira.
Função da mão – Oposição cilíndrica/esférica normal e a força de preensão é observada em todos os desportes. Pouca limitação se for o caso, é normalmente aparente só durante tarefas motoras finas rápidas. Deve-se lembrar que a diplegia implica em ter mais espasticidade nos membros inferiores do que em membros superiores. Algumas implicações de grau de espasticidade de 2+ a 1 podem ser vistas particularmente em movimentos funcionais das mãos, braços e tronco.
A classificação entre as classes 4 e 5, em provas de campo, é considerada um problema de preferência do atleta se são funcionalmente elegíveis. O hemiplégico na cadeira de rodas com um braço funcional e livre movimento do tronco é classificado na classe 4 para competições de campo (também veja prova de campo para a classe 3).
Diplegia
Implicação moderada. O atleta pode necessitar do uso de equipamentos ao andar, mas não necessariamente quando estiver em pé ou arremessando. Uma mudança do centro de gravidade pode levar a perda do equilíbrio. Um que tem triplegia pode se apresentar nesta classe.
Membros inferiores – Grau de espasticidade de 3 a 2. Implicação em uma ou em ambas as pernas que podem exigir equipamentos para auxiliar no andar. O atleta de classe 5 pode ter função suficiente para correr na pista. Se a função é insuficiente, a classe 4 pode ser a mais apropriada para ele.
Equilíbrio – Normalmente apresenta equilíbrio estático normal, mas pode exibir problemas no equilíbrio dinâmico, por exemplo, tentando um giro ou arremesso de maneira forte.
Membros superiores – Este é um ponto em que ocorrem variações. Alguma limitação de moderada a mínima nos membros superiores podem freqüentemente ser observadas, particularmente quando arremessando, mas a força se apresenta normal.
Função da mão – Aperto cilíndrico/esférico normal. Oposição, preensão e soltura da mão dominante é observado em todos os esportes.
Atetóide ou atáxico
Implicação moderada. O atleta anda sem a ajuda de equipamentos. A atetose é o fator mais prevalecente, embora alguns quadriplégicos espásticos andantes, por exemplo, aqueles que apresentam mais envolvimento nos braços do que em andantes diplégicos, podem se encaixar nesta classe. Todos os quatros membros apresentam, normalmente, envolvimento funcional nos movimentos do esporte realizado. Os atletas da classe 6, normalmente tem mais problemas de controle dos membros superiores do que os atletas da classe 5, embora este, normalmente tenha melhor função nos membros inferiores, particularmente quando corre.
Membros inferiores – A função pode variar, consideravelmente, dependendo da habilidade desportiva envolvida, podendo ser pouca, trabalhosa (elaborada), de andar lento e chegando até a uma corrida, a qual sempre demonstra uma melhor mecânica. Pode haver um contraste marcado entre o andar atetóide com corrida descoordenada e o ritmo suave da ação coordenada de correr e pedalar. Uma corrida de aproximação no lançamento de dardo é possível.
Equilíbrio – Pode ter bom equilíbrio dinâmico comparado com o equilíbrio estático. A espasticidade é comum em atletas desta classe e não deveria ser motivo para colocá-los na classe 5.
Membros superiores e controle da mão – A preensão e a soltura da mão podem ser, significativamente afetadas, quando do arremesso em um atleta com atetóide de nível moderado a severo. Quanto maior a presença da espasticidade maior é o limite no pós arremesso e na manutenção do equilíbrio após o arremesso.
Hemiplégico
Esta classe é para atletas verdadeiramente hemiplégicos andantes. Um atleta da classe 7 tem grau de espasticidade 3 a 2 em uma metade do corpo. O atleta caminha sem a ajuda de qualquer equipamento, mas freqüentemente com um andar manco, devido a espasticidade no membro inferior. Boa habilidade funcional no lado dominante do corpo.
Membros inferiores – Hemiplegia com grau de espasticidade 3 a 2. O lado dominante tem um desenvolvimento melhor e uma boa finalização do movimento de andar e correr. O atleta tem dificuldade em andar de calcanhar e tem dificuldade significativa em saltar com a perna comprometida. O andar de lado, em direção à perna comprometida, também é afetado.
Atletas com atetose de moderada a mínima NÃO se enquadram nesta classe.
Membros superiores – O controle de braço e de mão só é afetado no lado não-dominante. Existe um controle funcional bom no lado dominante.
Durante o andar, o braço afetado está quase sempre flexionado, numa posição que lembra a de uma asa de pássaro. Durante a corrida, ambos os braços, ficam flexionados na altura do cotovelo. Isto significa que durante a corrida existe menos diferença entre as posições dos braços. Consequentemente, o atleta hemiplégico demonstra na corrida um padrão de movimento quase normal. O treinamento, fará com que se melhore este padrão de movimento. Contudo, o atleta experimenta uma restrição causada pela espasticidade durante um movimento rápido e também distúrbios na coordenação durante a rotação de tronco. Isto significa que a ação de um bom corredor não o muda da classe 7 para a classe 8.
O atleta da classe 7 demonstra fraqueza no joelho, durante uma aceleração de velocidade (sprint) e um comprimento de passada assimétrico devido a falta de rotação completa do quadril e a espasticidade dos músculos posteriores da coxa, desacelerando a perna muito rapidamente, no lado comprometido.
Implicação mínima
Esta classe é para atletas com: diplegia com grau de espasticidade 1; hemiplegia com grau de espasticidade 1; monoplegia; atetose/ataxia mínima.
De acordo com o critério de eligibilidade, o atleta deve possuir uma restrição óbvia de sua função, sendo evidente durante a classificação. Isto significa que deve ter evidência clara de espasticidade, movimento involuntário e/ou ataxia.
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